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Idéias para começar a Cantar e tocar Simultaneamente:


É frequente ouvir queixas de alunos de música, que estudando em casa, sentem-se  frustrados no início do processo de Cantar e Tocar ao mesmo tempo, sem saber por onde começar.

Observando os alunos e os casos em que as pessoas quase desanimam de desenvolver isso, pude ver de que forma algumas escolhas neste estudo podem facilitar o dificultar o processo, e com isso, inclusive revi mentalmente todos os erros que também cometi no meu processo de aprendizagem ... Abaixo, seguem algumas orientações que podem ajudar a superar os desafios:


        
      1. Menos é Mais: Escolha algo simples

Mesmo acostumado a cantar e tocar isoladamente coisas bem mais complexas, vale a pena escolher músicas que tenham poucos acordes já familiares , de groove mais uniforme e troca de acordes não tão rápida. Tocar e Cantar é uma multitarefa que o cérebro vai aprender a executar e que precisa ser desenvolvida aos poucos. Coordenar cordas vocais e dedos ao mesmo tempo exige muito mais em coordenação motora do que isoladamente. O cérebro está aprendendo a nova função multitarefa e precisa se adaptar aos poucos.

 Uma música em que o canto vai acompanhando os acordes mais suavemente , tem condições de ser mais bem assimilada e funcionar no início. Mais tarde, pode-se ir acrescentando músicas mais complexas e rápidas.  Se você for como eu, vai argumentar que seu estilo favorito não tem músicas simples... mas sempre tem. Mesmo em heavy Metal, bossa nova, música clássica, você sempre encontra algo. 
Sempre.

Minha Aluna Stephanie ao vivo, foto de Alexandre Moreira


É preferível começar usando uma música de algum artista do que uma música própria.  Na música própria, o cérebro vai se ocupar em interferir nas harmonias, estruturas, letra etc, enquanto na de outro artista, pode-se concentrar somente na execução, pois a canção já está feita.


     2. Estudar Isoladamente antes.

Cante somente e toque somente, antes de fazer os dois ao mesmo tempo.

Marque os locais de respirações na folha ao cantar, verifique se o tom funciona, se a colocação está estruturada..

Quando começamos já fazendo tudo, é fácil deixar desapercebidos problemas técnicos, como respiração, escolha de tom,  colocação, e palhetada, ritmo etc.

Fazer as duas coisas isoladamente ajuda o cérebro a assimilar cada instrumento e não o sobrecarrega de informações.



    3. Escolha uma cifra ou partitura organizada visualmente


A qualidade de organização de sua música escrita é Importantíssima para o sucesso do seu estudo pois é o que vai estruturar o mapa mental da música.  

A música deve estar com a letra toda cifrada encima das palavras, pois você vai ler as letras e as cifras ao mesmo tempo. Cifras e partituras em que faltam partes, que tem ritornelos ou só a metade cifrada vão confundir a cabeça, pois em determinadas partes, a letra fica num canto e os acordes no outro, atrapalhando a fluência e a concentração. Estas cifras servem para quem vai somente tocar ou somente cantar, mas para a multitarefa melhor usar uma completa.




          4. Não Esperar que a música já fique detalhada desde cedo


A primeiras práticas de tocar e cantar podem ser minimalistas; somente com os acordes palhetados ou puxados no ritmo certo no caso de violão e no caso de piano a estrutura baixo à esquerda  e acorde de três notas na mão direita.

Mais tarde, quando isso já estiver fluente, pode-se acrescentar os arpejos e estruturas mais complexas de poliritmo no instrumento. Com tempo, o cérebro estará mais preparado para coordenar músicas e estruturas de maior complexidade. Focar sempre no processo antes de focar nos resultados.



   5.  Não esperar que fique como a gravação Original

Vale lembrar que o artista que gravou esta música provavelmente já cantava e tocava há alguns anos antes de gravar, e talvez já tenha até feito turnê tocando ela por um tempo antes da gravação. Não compare seu começo com o meio de outro alguém. O artista que gravou a música que você está estudando, também já passou por isso e hoje toca e canta fluentemente pois algum dia teve a paciência e não se deixou abalar pelos desafios. Neste momento, o processo é o mais importantes, os resultados virão aos poucos.



Se tiver dúvidas sobre esta postagem, ou se quiser umas idéias de que músicas escolher para estudar, mande-me um email:

 clara.lima22@hotmail.com






Blank Page por Mila Monteiro

Blank Page (Christina Aguilera)
Voz: Mila Monteiro
Piano: Ana Clara Lima

Julho de 2016
ao Vivo no Teatro Natália Timberg, Rio de JAneiro,
Showcase Centro Musical Antonio Adolfo.

Para mais Vídeos de meus pupilos cantando, clique no link:
 www.youtube.com/limaalunos

Dúvidas Frequentes: Eu costumava alcançar estas notas no tom original, mas não alcanço mais. O que houve?

As causas mais comuns desta reclamação, são:

1.Se você tem menos de 25 anos, provavelmente as mudanças hormonais estão modificando sua área de transição para o grave. mudanças de naipe ocorrem velozmente, sobretudo na fase de puberdade.
A vozes femininas encerram a mudança brusca um pouco depois das primeiras menstruações, e as masculinas costumam mudar bruscamente até os vinte e poucos anos.
Já vi casos em minha classe, de meninas mudarem de classificação de soprano para mezzo em um semestre, o de meninos mudarem de barítono para baixo em um semestre, ou um ano. O caso mais radical que vi, foi uma aluna minha, na época com 11 anos, que teve sua transição modificada em um tom e meio em 4 meses. Estávamos preparando uma música para apresentação, que iniciou os ensaios no tom de Fa# e foi apresentada em Eb. Isso não significa que a pessoa está perdendo o alcance de agudos, mas que os encaixes nas regiões sofreram modificações pela mudança de voz. A solução apropriada seria mudar a tonalidade para recuperar os encaixes, ou reestudar a música no tom anterior reestabelecendo os encaixes dos apoios como se estivesse estudando uma nova música. Apoiar as notas como de costume adaptado para uma voz que antes estava mais aguda em transição, pode não funcionar, resultando em desafinação, problemas na respiração, desgaste, etc. Se você se identificou com esta razão, Crie o hábito de anotar nas folhas das letras, a tonalidade e a data em que você estudou a música. Isso irá poupar a perda de tempo e o desgaste emocional no futuro.

2.Se você é mais velho do que isto, a sua voz também pode ter mudado. Um adulto não muda em um tom a transição dentro de um ano, mas pode mudar em 10 ou 15 anos.
Cantores experientes como Dio e David Coverdale, sempre souberam disso e portanto alteram a tonalidade das músicas ao vivo, sobretudo de músicas que foram gravadas há mais de 20 anos.
Vozes escuras e pesadas se modificam muito mais com a idade do que vozes leves e claras, e isso explica porque é que o Coverdale muda os Tons e o Steven Tyler não.
A mudança por idade também confere mais peso e corpo ao grave e isso facilita a aplicação de agressividade e rasgados.
No caso das mulheres, a fase de gravidez pode mudar a voz de forma acelerada. Lembro de meu professor de faculdade, Ricardo Tuttmann, me contando sobre cantoras que eram lírico ligeiro e tiveram que mudar de repertório para soprano lírico por conta das mudanças hormonais. No meu caso, tenho 2 filhos, minha transição desceu um semitom na primeira gravidez e mais um na segunda. Isso significa que uma música que eu cantava no tom original antes, agora faço um tom abaixo para encaixar corretamente. Na maioria dos casos dá pra sobreviver cantando no tom anterior, mas muitas vezes isso pode soar estridente e forçado.

3.A musculatura está mais flácida do que antes.
Assim como um atleta que parou de treinar pode sofrer para correr uma maratona, uma pessoa que costumava ter uma rotina de aulas e ensaios e está cantando só no chuveiro há tempos, vai se cansar ou pifar nos extremos. Exercícios e prática vão retomar aos poucos a musculatura.

4. Faltou Aquecimento antes de cantar.
Esperar um rendimento esplêndido sem aquecer ao menos por 5 ou 10 minutos antes é o equivalente a esperar que um feijão cru tenha o mesmo gosto do Feijão da mamãe.

5.O cantor precisa de manutenção ou descanso.
Estar mal dormido, mal alimentado, com a voz desgastada por gritar e falar demais, etc é o equivalente a tocar uma guitarra com cordas velhas ou o braço empenado.

6. Ingestão de Comidas que encatarram ou ressecam o aparelho fonador:
Isso depende muito da pessoa. Existem desde os extremos de cantores que bebem, fumam, tomam laticínios e não se abalam com absolutamente nada até os super sensíveis que precisam policiar a alimentação horas antes e todas as nuances entre um e outro. Interessa observar durante os estudos e ensaios, o que afeta seu corpo e instrumento, para não ser surpreendido com uma desafinada ou engasgada inesperada no meio de uma interpretação.
Para ler mais sobre os principais alimentos que podem encatarrar ou ressecar o aparelho fonador, confira o post Alimentos a Evitar Antes de Cantar.

Dúvidas Frequentes: Qual é o meu tom?



É importante entender que a Escolha da tonalidade apropriada não funciona de forma padronizada tal qual um número de sapato.
Depende da construção da canção escolhida (uma canção em Dó pode ter a linha pautada na tônica Dó, enquanto uma outra na mesma tonalidade pode ser pautada na 5ª G,colocando as linhas vocais em regiões muito diferentes). Depende do tipo de voz,  da experiência do cantor, principalmente da região em que voz faz a transição de peito para a cabeça e do alcance que a canção demanda. 

Algumas canções tem escolha de tonalidade mais simples e fáceis de identificar, por possuírem espectro curto,ou por serem todas pautadas numa só região (peito, cabeça ou 3ª camada). Outras, possuem um espectro mais largo de notas e isso vai demandar um encaixe e caimento apropriado de cada estrofe em uma região vocal,para que a interpretação tenha melhor rendimento e para que possam ser usados todos os recursos  interpretativos dos quais o cantor dispõe. Um cantor experiente pode saber se adaptar  para cantar uma canção numa tonalidade que não esteja apropriada para ele e cantá-la afinada e corretamente, mas isso não significa que será possível  dar o melhor de si em termos de recursos técnicos.   

Alguns cantores possuem a transição mais flexível que outros,  isso é uma condição mais fisiológica do que dependente de treinamento. Pedir para um cantor adaptar-se à tonalidade de uma música ou outra pode funcionar, mas vale a pena moderar no numero de músicas  para não forçar a barra e correr o risco de queimar a voz do cantor no meio da apresentação, ou de apresentar um trabalho em que o vocalista não tem a oportunidade de usar todos os seus recursos e qualificações técnicas, e de dar seu melhor ao público. A Escolha caprichada das tonalidades vai fazer com que o cantor tenha o rendimento interpretativo prolongado, e uma canção bem interpretada sempre empolga mais a plateia.

E você, qual a sua dúvida? Escreva para clara.lima22@hotmail.com 
que ela pode aparecer aqui.


Minhas Pupilas Gabi, Luiza e Clara Cantando no showcase. Foto: Alexadre Moreira.

Dúvidas Frequentes de Canto: Classificação x Alcance e Respiração ao vivo.



Recebo às vezes, e-mails com dúvidas referentes ao canto, e nem sempre é possível responder às perguntas sem ouvir a voz da pessoa para diagnosticar o que quer que esteja rolando ali. Escolhi aqui, algumas que podem ser respondidas independentemente disso e que são muito comuns em sala de aula.

- Fui classificado como Barítono,mas acredito que eu seja tenor.Pois consigo alcançar notas muito agudas e cantar cover de Skid Row no tom original,por exemplo, embora tenha dificuldade para encaixar o grave nesse tipo de música, mas sair sai.
Sebastian Back, Skid Row.

A classificação de naipe está relacionada à área em que a voz passa de voz de peito para voz de cabeça e com a tessitura, que é a área de conforto. A extenssão de alcance é outro fator distinto. Podemos ter um barítono e um tenor como mesmo alcance de espectro,porém a área de conforto e de passagem é que define a classificação vocal. Temos muitos barítonos famosos com alcance absurdamente agudo: James Labrie, Ozzy Osbourne, Bruce Dickinson, Geddy Lee e muitos outros. Se você for um barítono de alcance agudo como esses caras,o problema de cantar o Skid Row não vai ser o agudo,e sim a passagem de peito pra cabeça, que ficará desencaixada da região em que o Sebastian gravou, em relação à passagem dele na época da gravação. É mais provável que a voz trepide no grave do que falhe no agudo nesse caso. Cantar uma música em uma tonalidade que não está apropriada para sua voz é como usar um sapato apertado, ou largo.. Você pode ir ali rapidinho com o sapato, mas se sair pra fazer uma caminhada longa, vai começar a machucar e a graça da caminhada vai pro brejo. 



- Estou perdendo o ar quando canto ao vivo, e isso prejudica a colocação e a aplicação dos drives.

Joss Stone
Recomendo que Iprima a letra completa da música que está fazendo isso contigo e marque as respirações entre palavras. Assista a vídeos do artista cantando ao vivo,pois no estúdio muitas vezes as frases são gravadas sobrepostas.  (O artista já saiu em turnê e cantou aquela música muitas vezes, é possível que tenha encontrado soluções práticas) Atente para o corte de palavras que o artista faz ao vivo e se há backing vocals que alguém da sua banda possa preencher para tirar a sobrecarga do vocal e dar mais espaço para respirar e interpretar.  Leve a folha marcada pros ensaios até decorar a padronagem. Se mesmo assim estiver perdendo o ar, experimente outras tonalidades, pois pode ser um problema de encaixe das passagens.  No caso das mulheres; corpetes, sutiãns ou tops  apertados na caixa toráxica também podem fazer estrago,  o controle respiratório fica prejudicado com um elástico brigando com a movimentação da ossatura. ( na dúvida Experimente gravar um trecho cantando com e sem a peça apertada e compare).